sábado, 28 de agosto de 2010

O Bem contra o Mal

Estava assistindo, na Discovery Channel, “O fim de Guantanamo” quando uma parte especifica me fez relembrar um programa que vi alguns dias após o fatídico 11 de setembro. Nele, uma pergunta rápida foi feita a dez americanos - estados unidenses ou seja lá como prefiram – aleatoriamente, nas ruas de Nova York. Pessoas que ainda se encontravam perplexas diante do acontecido.

Antes de continuar, gostaria de deixar claro que não sou anti-americano e que na época, residia no alojamento universitário da UFRJ, onde convivia com várias opiniões distintas de colegas de diversos cursos, formações políticas e sociais.

A pergunta feita aos cidadãos americanos era se os Estados Unidos deveriam ou não invadir o Iraque em retaliação. Nove dos entrevistados defendiam a investida e suas observações externavam um sentimento de raiva e vingança, defendendo uma espécie de chacina como forma de resposta. Apenas um homem fora contra e acreditava em formas diplomáticas ou no mínimo um estudo maior sobre o problema.

Voltando ao programa da Discovery, em um determinado momento foi defendido por familiares das vítimas do atentado de 11 de setembro, até de forma emocionada, a manutenção de Guantanamo e a condenação de seus prisioneiros.

Para quem não conhece, Guantanamo bay é uma baia chamada Guantanamo, pertencente a Cuba e arrendada pelos Estados Unidos no início do século XX. Nela foi construído um complexo penitenciário para abrigar suspeitos de terrorismo.

O problema é que, propositalmente, por estar fora do território norte americano não é obrigada a seguir a legislação do país e para não dar status de exército aos terroristas, esses detentos não são reconhecidos como prisioneiros de guerra, não estando assim tutelados pela convenção de Genebra. Ou seja, o tratamento não está regido por nenhuma “lei”. Com isso, torturas foram praticadas, até mesmo em pessoas que, depois de anos de carceres, foram consideradas inocentes e libertadas. Digo consideradas, e não absolvidas, pois nenhum dos prisioneiros foi condenado ou no mínimo julgado e provavelmente nem é suspeito. Não há nenhuma ligação com o que consideramos como um processo judicial.

Vou voltar aos familiares, já que minha intensão não é discutir a existência de Guantanamo.

A declaração dos familiares das vítimas pedia ao presidente Obama, que pretende desativar Guantanamo, que não apenas mantivessem a “prisão”, como que condenasse os seus “prisioneiros”. Em suas palavras, demonstravam os mesmos sentimentos dos entrevistados de Nova York a 8 anos atras. Era pedido justiça, quando na realidade desejavam vingança.

Vou exemplificar, porém, quem tiver a oportunidade de assistir, não perca.

Entre outras coisas, um mulher usa a palavra justiça, para pedir uma condenação sem, provas, juízes, advogados e promotores. Enquanto a um homem para falar em tortura, usa as palavras “atos não politicamente corretos”.

Isso me fez refletir. Se um 11 de setembro causou esse sentimento na população, vontade de que uma guerra fosse iniciada e que direitos humanos sejam completamente ignorados, imagina o sentimento de quem vive um 11 de setembro a anos.

Lembro-me muito bem das inúmeras vezes que assisti no Jornal Nacional (TV Globo) bombardeios a escolas e hospitais no Oriente Médio, vezes justificadas por alegações de que se tratavam de instalações militares camufladas – informações sempre desmentidas pelos governos locais, em uma espécie de guerra ideológica – vezes, apenas com pronunciamento de se tratar de um erro, sem mais delongas. Isso sem contar em bloqueios e diversas formas diferentes de se aniquilar uma nação, como o financiamento e interesses na guerra Irã/Iraque(EUA) e a separação e aquisição do Kuwait (ING). Se continuar, vou acabar escrevendo umas 5 laudas.

Normalmente faço uma analogia, nela imagino um homem com minhas características: 1,76 m e 80 Kg que vive em um escritório; tendo um lutador profissional de 2,00 m e mais de 100Kg querendo agredi-lo. Seria uma covardia se o lutador fosse agredido por trás com uma barra de ferro ? E o confronto direto, não seria covardia ?

É muito fácil enfrentar declarada e abertamente um adversário quando se é mais forte. Infelizmente isso ocorre com muita frequência em nossa sociedade. Um grande exemplo é a agressão contra mulher. Nesses casos citados, o que protege essa diferença de forças são nossas leis. Porém quando há uma igualdade de forças, tudo muda, vide Guerra Fria. Isso não era uma espécie de terrorismo ? O planeta convivia, apesar de ter se acostumado, com a idéia de que a qualquer momento bombas nucleares poderiam ser disparadas dando fim a espécie humana.

Agora imaginemos a diferença na relação quando se é mais fraco.

Não estou defendendo o terrorismo, até porque, sou contra a execução de qualquer pessoa, mesmo que seja de forma legal (pena de morte), porém, a conclusão que cheguei é que essa luta é muito mais complexa do que simplesmente uma luta do BEM contra o MAL

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